Geral

Medalha 2013

Feliz ano de 2015

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Ola amigos e amigas seguidores desta pagina.
Antes de falar deste ano que termina hoje, quero desde ja desejar um dia feliz para todos e que 2015 seja a realização de todos os vossos desejos.
Este ano que termina é sem duvida para mim (Joaquim Sousa) o pior ano desportivo de sempre, não pelos resultados (esses a muito que deixaram de ter relevância) mas pelo facto de ser obrigado a deixar de estar com os meus amigos e depois por me ter incapacitado de poder fazer o que gosto, Orientação (desporto).
Ano passado (2013) depois do WMOC em Agosto decidi parar com a ideia que uns tratamentos me deixariam voltar a treinar sem dores no tendão direito, dor essa que já vem dês de a uns 5 anos atrás.
Nesse mês de Agosto fiz tratamento por ondas de choque mas o resultado foi nulo, depois de vários tratamentos as calcificações eram exactamente as mesmas.
Resolvi fazer exames e ser operado pela caixa (Serviço Nacional de Saúde), em Janeiro comecei os exames e em Junho foi-me dado o veredicto, tinha realmente cerca de 3 cm de calcificações no tendão de Aquiles, mas o ortopedista que durante 6 meses me mandou fazer exames não me ia operar pois não queria correr riscos (palavras dele).
Decidido a acabar com esta dor no pé que ja me impedia de andar bem resolvi falar com o Dr Paulo Amado e 15 dias depois estava a ser operado.
Infelizmente e depois de 3 meses de fisioterapia as dores eram piores que antes de ser operado por isso depois de um TAC e de serem detectadas a continuação das calcificações a solução passou por uma segunda operação mas desta vez com o corte total do tendão (para limpar totalmente) e com a colocação de uma ancora (ancora = algo artificial que agora esta a colar o tendão ao osso do pé).
E foi assim meus amigos.
Agora estou em recuperação (descanso completo) e dia 5 de Janeiro terei consulta para poder começar novamente com a fisioterapia, por isso espero poder ir ao POM (ver os amigos, só isso e juliar o Banito, claro), espero que corra tudo bem para poder voltar a semear a discórdia por essas florestas foras, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

A todos um excelente dia e um ano de 2015 cheio de tudo que ha de melhor…

Medalha 2013

2013, o ano zero

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Bom dia

Desta vez o rescaldo do ano que vai terminar não é nada do que tinha pensado até a bem pouco tempo, sendo que os objectivos para 2014 vão ficar em stand by até ser debelada a lesão.

No inicio de 2013 foram traçados objectivos, dentro deles, alguns ficaram por alcançar, o POM (Portugal “O” Meeting), bom resultado e mínimos técnicos para permanecer na selecção, e o Absoluto (de Orientação) pódio individual, o resto correu dentro do planeado, títulos nos Nacionais e uma medalha (comprada) no WMOC 2013 em Itália.

Passei dos quase 4000 kms de 2012 para cerca de 2600 de 2013, não estando a vista a data para o regresso em 2014.

Depois de terminada a primeira parte da época com a participação em Agosto no WMOC 2013 em Itália, decidi parar de treinar e fazer um tratamento aos tendões calcificados pois as dores já eram insuportáveis e não tinha condições para continuar a treinar, o conselho foi o tratamento por ondas de choque, tratamento com 80% de probabilidade de sucesso, mas infelizmente eu parece que fiquei nos outros 20% da estatística.

Dês-de Agosto que estou praticamente sem treinar e sem competir, sendo que as ultimas ordens são para parar completamente até passar a dor totalmente, por isso Janeiro ficara sem competição para mim.

Estou em contacto com o Dr. Gomes Pereira que num primeiro contacto telefónico também me ia aconselhar o tratamento por ondas de choque, mas depois de eu relatar todo o processo dês-de Agosto até hoje, ofereceu-se para ver todos os exames que fiz e assim fazer um diagnostico do meu problema, estou a aguardar para depois poder fazer o planeamento para 2014.

Sendo assim resta-me desejar a todos os meus amigo um ano de 2014 cheio de sucessos, e como costuma dizer uma amigo meu ” a dor é éfemora mas a gloria é eterna”.

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Terapia por Ondas de Choque

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Como todos sabem, a alguns anos que me ando a queixar do facto de ter varias calcificações no tendão de aquiles (pé direito) e de não conseguir treinar em condições, com o passar dos anos e com a carga de treino, a situação foi piorando, sendo que este ano foi impossível cumprir o plano de treino e assim fazer uma melhor prestação no WMOC.

Sendo assim, resolvi tentar um tratamento de ondas de choque, ou este tratamento ou ser operado, mas a situação não pode é continuar assim. Já fiz fisioterapia, mas o problema continua, enquanto o tendão tiver a calcificação.

Por isso neste mês de Agosto fui a uma clínica em Rio Tinto (Porto) e comecei os tratamentos, já fiz dois (de três), sendo que o terceiro será na próxima terça feira.

Durante o resto do mês de Agosto e todo o mês de Setembro não irei competir, apenas irei treinar ligeiramente, sendo que apenas um mês depois do ultimo tratamento começarei os treinos a serio, caso a lesão seja debelada.

Segue alguns artigos que pesquisei na internet sobre as ondas de choque.


Tratamento Por Ondas de Choque em Ortopedia

A Terapia Por Ondas de Choque (radiais ou focais) é uma nova modalidade de tratamento para os pacientes com problemas músculo-esqueléticos.

Iniciamos esta prática em 1999 após estágio em centros de tratamento na Alemanha nas universidades de Munique e Heidelberg onde já é utilizada desde 1990.

Existem vários modelos de máquinas que, por trabalharem com diferentes intensidades da onda aplicada no local de tratamento, podem tratar lesões musculares, tendinosas ou ósseas.

Participamos ativamente de um grupo médico denominado Sociedade Brasileira de Terapia Por Ondas de Choque / SBTOC
(www.sbtoc.org.br) formado em 2001 por ortopedistas brasileiros promovendo cursos e participando de congressos de ortopedia nacionais e internacionais.

Como funciona ?

Não se trata de um choque elétrico, mas sim de um impacto mecânico.

As Ondas de Choque são um tipo de energia mecânica que penetra no tecido lesado e provoca um fenômeno chamado cavitação, onde microbolhas se rompem provocando como microrupturas no tecido inflamado, determinando a liberação de substâncias antiinflamatórias locais e também estimulando um aumento na microcirculação local .

Este aumento de nutrição no local antes fibrosado leva a uma progressiva cura natural do processo inflamatório-degenerativo.

Podemos controlar a intensidade da energia com que as ondas de choque atingem o local a ser tratado. Quando utilizamos baixa energia produzimos alívio da dor e relaxamento muscular, quando se utiliza média energia ocorre a reparação tecidual e com alta energia pode ocorrer a estimulação óssea.

As ondas apenas atuam em tecidos lesionados e não causam nada em tecidos normais.

Como é o tratamento ?

O tratamento é ambulatorial, não necessita internação ou anestesia a não ser para alguns casos de tratamento ósseo.

Realizamos de 3 a no máximo 6 sessões com intervalo de uma semana entre cada aplicação. São aplicadas 2000 ondas em cada sessão nos locais lesionados.

Terapia por Ondas de Choque

A Terapia por Ondas de Choque é uma nova técnica utilizada no tratamento das seguintes indicações: dores no cotovelo (epicondilite), dor após sobrecarga no joelho (joelho de saltador), calcificação do tendão do ombro (ombro doloroso), e dor da inflamação no tendão de Aquiles. Indicações que seriam difíceis de tratar com fisioterapia convencional.

O que acontece durante o tratamento com a Terapia por Ondas de Choque?

Durante a terapia por Ondas de Choque, uma onda acústica de alta energia é transportada até aos tecidos músculo-esqueléticos, fibroses e pontos dolorosos. Este processo origina uma cascata de efeitos benéficos, tais como aumento da neovascularização, reversão da inflamação crónica, estimulação do colagénio e dissolução de fibroblastos calcificados.

Benefícios do tratamento com a Terapia por Ondas de Choque:

  • A Terapia por Ondas de Choque tem uma excelente relação custo/efectividade.
  • Solução não invasiva para a sua dor crónica no ombro, costas, calcanhar, joelho ou cotovelo.
  • Nova tecnologia com efeitos médicos comprovados; efectiva em mais de 80% para algumas indicações.
  • Sem anestesia e sem medicamentos.
  • Sem efeitos secundários.
  • Principais especialidades médicas: ortopedia, reabilitação e medicina desportiva.

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Época 2012 – Balanço Final

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Chegou ao fim mais um ano, e mais uma época de competição, repleta de alegrias.

Em termos de balanço final, posso afirmar que foi uma época positiva, conseguimos (eu e o Albano João) muitos bons resultados, e a cima de tudo, conseguimos manter um nível físico elevado durante toda época, muito obrigado Banito, sem ti seria muito mais difícil.

O ano começou com um excelente resultado no WRE de Arronches, segui-se o objectivo de ser o melhor no Portugal “O” Meeting em Viseu, faltou um podium (três primeiros) em Elite nos Nacionais, mas vencemos a Estafeta em Veteranos I, no World Masters Orienteering Championships na Alemanha, o 5º lugar no Sprint, mas principalmente o 4º lugar na distancia longa foram excelentes (não se pode ganhar medalhas sempre), terminamos a época com o 4º lugar no Absoluto (não valeu, mas foi 4º), e mesmo a terminar a época, os mínimos físicos para pertencer ao GAR da FPO na época 2013.

Em 2012 vi também um sonho tornado realidade, ter um evento com o meu nome, e o meu FanClub, deixou-me sem palavras, obrigado a todos.

De pior em 2012, foram as três semana em Agosto sem poder treinar depois da lesão nas costelas.

Para 2013, quero ver se consigo melhor todos os objectivos de 2012, e sei que com o trabalho do meu treinador e com apoio dos meus amigos, vou conseguir.

Em 2012 foram mais de 4000 kms de treino e competição (estão registados 3998 km, WRE e organizações não foram contabilizados)

Dos 3998 kms registados, 574 kms foram de Orientação

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Entrevista ao Orientovar

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Joaquim Margarido é o rosto atrás do Orientovar, o blog de referência da Orientação em Portugal. Joaquim Sousa é a referência da modalidade em si.

Num diálogo de Joaquims, Margarido questiona Sousa sobre o seu historial, o estado da Orientação, das Seleções, e dos objetivos para o resto da Época. Publicada no Orientovar, reproduz-se na íntegra a entrevista concedida por Joaquim Sousa.

 

E público e notório ser Joaquim Sousa uma das maiores referências de sempre da Orientação nacional. Como notório e público é o facto de ser pessoa de não deixar para amanhã o que pode ser dito hoje. Falador, extrovertido, contundente, polémico, irreverente, o homem e o atleta diz de sua justiça ao Orientovar, numa grande entrevista que há muito se impunha.
Orientovar – Do Vinho do Porto se diz que “quanto mais velho melhor” e estou convicto que, em grande medida, este lugar comum pode aplicar-se também a si. O mérito é seu ou é demérito dos seus adversários?
Joaquim Sousa – Comecei a praticar desporto muito tarde, na tropa, já com 21 anos. Talvez isso faça com que o meu organismo esteja ainda muito disponível para a actividade física e o desporto, o que não aconteceria se tivesse começado mais cedo. Se calhar agora estava já um bocadinho mais rebentado e se calhar não andava tão bem. Em termos físicos, acho que as coisas podem passar um pouco por aí. Mas depois há o seguinte: Nós temos treinador e temos que confiar nele. O que ele disser para fazer é o que tem de ser feito. Se ele disser que temos de fazer cinquenta rampas, temos de fazer cinquenta rampas. Mas a verdade é que há muita gente que hoje não lhe apetece treinar e não vai treinar. Na prática, eu sou um atleta que cumpre rigorosamente os planos de treino. É natural que, comparado com outros atletas que não o fazem, o meu rendimento seja superior. Mas a única diferença está aí. Eu cumpro o plano e eles, se calhar, não o cumprem como deviam.
Orientovar – Isso pode explicar a parte física. Mas então a componente técnica? Como é que se explica?
Joaquim Sousa – Felizmente, em 1991, quando estive na tropa, tive uma pessoa que me ensinou a partir do zero o que era a Orientação e que foi o Luís Sérgio. Começámos pela Cartografia – ainda eram mapas na escala 1:25.000 -, eu mostrei muita disponibilidade em termos de me conseguir orientar e assimilei tudo aquilo que me foi ensinado. Na altura não havia tanta informação. Hoje vemos o Thierry Gueorgiou a correr no meio do mato a 3 minutos ao quilómetro, mas não altura não havia isso. A preocupação era sabermos como nos iríamos orientar com aquilo que tínhamos, com os terrenos que tínhamos, com as pernas que tínhamos. E era assim que nos tínhamos de desenrascar. Basicamente, o que o Luís Sérgio construiu em mim em termos técnicos de Orientação foram curvas de nível. Ou seja, fazer uma orientação muito por curvas de nível, não andar por caminhos. Hoje é isso que me vale e talvez seja por isso que consigo fazer um bocado melhor do que os outros.
Estão a esquecer-se que nós não somos profissionais

Orientovar – Esse tipo de ensinamentos está a faltar hoje aos nossos jovens?
Joaquim Sousa – Eu acho que o problema é que os nossos jovens têm informação a mais. Aqueles que procuram que eles evoluam, dão-lhes demasiada informação. São matérias teóricas vistas ou ouvidas dos atletas profissionais, mas estão a esquecer-se que nós não somos profissionais. Se não somos profissionais, como é que querem que treinemos como profissionais? Quando o Diogo Miguel era ainda iniciado, já toda a gente via que ele tinha qualidades para vir a ser um bom atleta. Se ele por acaso tivesse a sorte de sair de Portugal e ir para um país nórdico durante um ano, ele era neste momento, sem dúvida nenhuma, um atleta de final A. Ele é muito bom, claro que é muito bom. Mas falta-lhe aquele bocado que é a Orientação em cima da linha vermelha em zonas muito complicadas. É algo que nós ainda não conseguimos fazer. Ainda sentimos muitas dificuldades na zona dos pontos e é aí que está o nosso maior problema.
Orientovar – Na sua opinião, e no que diz respeito aos nossos jovens, estamos então a andar “com o carro à frente dos bois”?
Joaquim Sousa – Penso que sim. Quando vemos que este ou aquele jovem vai ser um jovem de futuro, começamos logo a dar-lhe o que ele ainda não pediu. Ou seja, em vez de serem os nossos jovens a trabalhar e a mostrar no terreno que merecem ir mais além, não! São-lhes logo dadas todas as oportunidades e mais algumas. E depois, como eles têm aquilo de borla, se calhar não lhes dão valor.
Andamos com as Elites ao colo

Orientovar – Mas isso não é isso que está a acontecer dum modo geral?
Joaquim Sousa - É também o que acontece com os nossos atletas de Elite. Andamos com as Elites ao colo. Ninguém espera que um dos nossos atletas de Elite venha ao POM e ganhe as quatro etapas. Mas o seleccionador devia chegar à beira das nossas Elites e dizer: “Vocês aqui, no POM, têm de ficar os quatro dias à frente do Sousa, porque o Sousa tem 42 anos e vocês têm vinte e poucos. Não é admissível que ele vos ganhe provas”. E aí esses atletas podiam ser atletas de Elite e podiam ser atletas de Selecção. Agora, quando vimos para aqui e temos um atleta de 42 anos que ganha duas provas em quatro e é o melhor português num POM, acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Meter atletas no grupo A ou no grupo B da Selecção, que são supostamente atletas de topo, se aqui não são bons, como é que vão ser bons num Campeonato do Mundo? Não estou a ver!
Orientovar – Devíamos parar para pensar? Um ano, dois anos?…
Joaquim Sousa – Se calhar, se calhar… Aquilo que aconteceu no ano passado não devia ter acontecido. Não havia atletas de nível para ir à Selecção, não se ia. Mas qual é o problema? Não morre ninguém! Sem os portugueses lá, ia haver Campeonato do Mundo na mesma. Agora, andamos a gastar dinheiro para quê? E depois acontecem coisas como estas que aconteceram: Há uma participação em termos federativos com atletas que são juniores ou que são atletas de segunda categoria, mas que alguém acha que eles vão ser bons atletas e depois levam-nos para a Taça do Mundo, levam-nos para aqui e para acolá e ninguém sabe porquê. Ninguém percebe como é que eles chegaram lá.
Temos de acarinhar quem cá anda e dar o devido valor a quem trabalha

Orientovar – E os resultados são aquilo que se vê…
Joaquim Sousa – Pois claro! Ir lá fora é muito bom, é óbvio. Se me levarem a mim, porreiro, está bem, eu vou. E vou lá fazer igual aos outros. Mas acho que, quem tem a responsabilidade nestas coisas, devia pensar de outra forma, devia de ver quem tinha possibilidades de fazer um bom resultado. Se acham que só o Diogo é que vai fazer um bom resultado, então vamos levar só o Diogo. Agora, só porque temos que levar três, não vamos pegar em dois “besuntas” que andam aí e levá-los com ele. Isso é completamente injusto, principalmente para quem trabalha. Eu, se treino, por exemplo, o meu treinador e o meu clube concerteza gostariam que eu fosse ao Mundial. Se eu no Portugal O’ Meeting, como ficou demonstrado, sou melhor do que os atletas de Elite que nós temos, se calhar as pessoas ficam a pensar porque é que os outros é que vão à Selecção e eu não. Mas porquê? Por ter mais de quarenta anos?
Orientovar - Há atletas que foram medalhados com quarenta e mais anos!…
Joaquim Sousa - Mas em Portugal não se pensa assim! Eu não quero que me dêem nada a mim. Mas sobretudo não quero que me tirem a mim para dar aos outros. Isso é que eu acho mal. Eu trabalho, eu treino e os resultados estão à vista aqui. Fui o melhor português! O meu treinador fica contente, o clube fica contente e eu fico contente mas, ao mesmo tempo, fico triste. É injusto, como já ouvi dizer aí, que eu ganhei pelo facto do Tiago Aires ou do Diogo Miguel não estarem cá. Porque eu também lhes ganho! Se eles estivessem aqui, ninguém diz que eles não iriam fazer um “mp” e eu não iria ser na mesma o melhor português. Temos de acarinhar quem cá anda e dar o devido valor a quem trabalha.
Estão a esquecer-se que a Orientação tem este pequeno pormenor que são os mapas

Orientovar - Para onde caminha a Orientação portuguesa?
Joaquim Sousa – Eu acho que estamos no bom caminho. Em termos organizativos, não temos nada que nos possam apontar. Se perguntarmos a quem quer que seja que venha a Portugal, toda a gente fica encantada. Aliás, nós vamos a uns Campeonatos do Mundo de Veteranos, por exemplo e toda a gente nos dá ainda os parabéns por aquilo que foram os dias do WMOC 2008. Ou seja, em termos organizativos estamos ao nível dos melhores do Mundo. O problema está nas selecções e eu volto a bater na mesma tecla: Ou se tem pessoas idóneas a comandar as Selecções, pessoas que olham para a toda a gente da mesma maneira, ou então não adianta.
Não é como eles agora querem com a questão dos mínimos aos dez quilómetros. Tudo bem. Mas o Mega Figueiredo dá-me quatro ou cinco minutos em dez quilómetros e eu dou-lhe cinco ou dez minutos numa prova de Orientação. Então, mas onde é que está o critério, afinal? Estou a falar no Mega e se calhar estou a falar nos outros. Na prova lá em baixo, ganhei ao Pedro Nogueira, dei-lhe sete minutos. Sete minutos dá-me ele a mim numa prova normal de atletismo. Como é que é possível? É que estão a esquecer-se que a Orientação tem este pequeno pormenor que são os mapas. Temos os mapas e isto não é só correr. Nem mesmo no Sprint. Parece muito simples mas não é!
O problema é que as pessoas não querem que eu ande lá também

Orientovar – Quais os seus objectivos para esta temporada? Passam pela medalha de ouro nos Mundiais de Veteranos na Alemanha?
Joaquim Sousa – Claro! No ano passado, as condições foram todas excelentes. Foi a primeira vez que o Albano e a Palmira foram comigo, ou seja, psicologicamente eu estava no auge. Considero que reajo bem às coisas, mas com companhia sai tudo muito mais fácil. Ter comigo o Albano e a Palmira foi completo, estavam criadas as condições ideais. Eram coisas que só se falavam em privado, mas o objectivo era a medalha no Sprint e ela apareceu. Em termos de objectivos o trabalho estava feito e, quando parti para a Distância Longa, estava descontraído. Corri feliz e satisfeito, acabei por juntar o útil ao agradável e, no final, arrecadei outra medalha. É claro que agora gostava de ir à Alemanha, gostava de ganhar o ouro, mas se calhar também gostava, se alguém tiver direito a ir ao Campeonato do Mundo de Séniores, que olhassem para mim como olham para os atletas que estão no Grupo de Selecção.
Orientovar – O que não tem acontecido…
Joaquim Sousa – Pois não. Temos em Portugal o Tiago Aires e o Diogo Miguel que são, para mim, os melhores atletas nacionais, sem dúvida nenhuma, e são os únicos que têm valor para ir à Selecção. A seguir a eles temos um grupo de seis ou sete atletas, bastante homogéneo, onde eu me incluo claramente. Aqui temos o Miguel Silva que, devido às suas aptidões físicas, pode estar um bocadinho à frente dos outros e talvez também possa merecer um lugar na Selecção. Mas depois o Tiago Romão é muito incerto, tanto pode fazer uma ou duas provas muito boas como pode não fazer nada de jeito. Quanto ao resto do grupo, eu não me excluo porque acho que tenho muito mais valor do que alguns que lá andam. O problema é que as pessoas não querem que eu ande lá também. Ou porque não sou do clube certo, ou porque não sou treinado pela pessoa certa, ou porque se calhar falo muito, ou porque sou velho… O problema é que, chegada a hora da verdade, as provas são muito complicadas e os resultados estão à vista.
Se eu ganho, a idade é secundária

Orientovar – E a nível interno?
Joaquim Sousa – Ter chegado ao final da Taça de Portugal 2011 em terceiro lugar na geral do ranking já foi muito bom e vou lutar para conseguir manter essa posição. O objectivo, claro que passa sempre por alcançar um título ou, pelo menos, imiscuir-me no pódio, tal como aconteceu no ano passado, onde fui Vice-Campeão de Distância Longa e Campeão de Estafetas. E tentar o título ibérico.
Orientovar – Até quando um Joaquim Sousa a este nível?
Joaquim Sousa – Eu trabalho para o Clube e tenho um treinador. Quando o meu treinador disser que está na altura de passar a correr no escalão H35 ou H40, eu vou correr no H35 ou no H40. Mas enquanto ele achar que eu estou bem fisicamente e em termos técnicos e enquanto os nossos jovens não valerem mais do que aquilo que valem, eu vou continuar assim. Se eu ganho, a idade é secundária e o que interessa são os resultados. Pelo menos para o clube. Agora é assim: Quando aparecerem dez jovens que me ganhem, tenha eu 43 ou 45 anos, se calhar deixa de fazer sentido andar na Elite. Mas enquanto isso não acontecer, podem contar comigo!


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