Geral
Época 2012 – Balanço Final
0Chegou ao fim mais um ano, e mais uma época de competição, repleta de alegrias.
Em termos de balanço final, posso afirmar que foi uma época positiva, conseguimos (eu e o Albano João) muitos bons resultados, e a cima de tudo, conseguimos manter um nível físico elevado durante toda época, muito obrigado Banito, sem ti seria muito mais difícil.
O ano começou com um excelente resultado no WRE de Arronches, segui-se o objectivo de ser o melhor no Portugal “O” Meeting em Viseu, faltou um podium (três primeiros) em Elite nos Nacionais, mas vencemos a Estafeta em Veteranos I, no World Masters Orienteering Championships na Alemanha, o 5º lugar no Sprint, mas principalmente o 4º lugar na distancia longa foram excelentes (não se pode ganhar medalhas sempre), terminamos a época com o 4º lugar no Absoluto (não valeu, mas foi 4º), e mesmo a terminar a época, os mínimos físicos para pertencer ao GAR da FPO na época 2013.
Em 2012 vi também um sonho tornado realidade, ter um evento com o meu nome, e o meu FanClub, deixou-me sem palavras, obrigado a todos.
De pior em 2012, foram as três semana em Agosto sem poder treinar depois da lesão nas costelas.
Para 2013, quero ver se consigo melhor todos os objectivos de 2012, e sei que com o trabalho do meu treinador e com apoio dos meus amigos, vou conseguir.
Em 2012 foram mais de 4000 kms de treino e competição (estão registados 3998 km, WRE e organizações não foram contabilizados)
Entrevista ao Orientovar
1Joaquim Margarido é o rosto atrás do Orientovar, o blog de referência da Orientação em Portugal. Joaquim Sousa é a referência da modalidade em si.
Num diálogo de Joaquims, Margarido questiona Sousa sobre o seu historial, o estado da Orientação, das Seleções, e dos objetivos para o resto da Época. Publicada no Orientovar, reproduz-se na íntegra a entrevista concedida por Joaquim Sousa.
Joaquim Sousa – Comecei a praticar desporto muito tarde, na tropa, já com 21 anos. Talvez isso faça com que o meu organismo esteja ainda muito disponível para a actividade física e o desporto, o que não aconteceria se tivesse começado mais cedo. Se calhar agora estava já um bocadinho mais rebentado e se calhar não andava tão bem. Em termos físicos, acho que as coisas podem passar um pouco por aí. Mas depois há o seguinte: Nós temos treinador e temos que confiar nele. O que ele disser para fazer é o que tem de ser feito. Se ele disser que temos de fazer cinquenta rampas, temos de fazer cinquenta rampas. Mas a verdade é que há muita gente que hoje não lhe apetece treinar e não vai treinar. Na prática, eu sou um atleta que cumpre rigorosamente os planos de treino. É natural que, comparado com outros atletas que não o fazem, o meu rendimento seja superior. Mas a única diferença está aí. Eu cumpro o plano e eles, se calhar, não o cumprem como deviam.
Joaquim Sousa – Felizmente, em 1991, quando estive na tropa, tive uma pessoa que me ensinou a partir do zero o que era a Orientação e que foi o Luís Sérgio. Começámos pela Cartografia – ainda eram mapas na escala 1:25.000 -, eu mostrei muita disponibilidade em termos de me conseguir orientar e assimilei tudo aquilo que me foi ensinado. Na altura não havia tanta informação. Hoje vemos o Thierry Gueorgiou a correr no meio do mato a 3 minutos ao quilómetro, mas não altura não havia isso. A preocupação era sabermos como nos iríamos orientar com aquilo que tínhamos, com os terrenos que tínhamos, com as pernas que tínhamos. E era assim que nos tínhamos de desenrascar. Basicamente, o que o Luís Sérgio construiu em mim em termos técnicos de Orientação foram curvas de nível. Ou seja, fazer uma orientação muito por curvas de nível, não andar por caminhos. Hoje é isso que me vale e talvez seja por isso que consigo fazer um bocado melhor do que os outros.
Estão a esquecer-se que nós não somos profissionais
Joaquim Sousa – Eu acho que o problema é que os nossos jovens têm informação a mais. Aqueles que procuram que eles evoluam, dão-lhes demasiada informação. São matérias teóricas vistas ou ouvidas dos atletas profissionais, mas estão a esquecer-se que nós não somos profissionais. Se não somos profissionais, como é que querem que treinemos como profissionais? Quando o Diogo Miguel era ainda iniciado, já toda a gente via que ele tinha qualidades para vir a ser um bom atleta. Se ele por acaso tivesse a sorte de sair de Portugal e ir para um país nórdico durante um ano, ele era neste momento, sem dúvida nenhuma, um atleta de final A. Ele é muito bom, claro que é muito bom. Mas falta-lhe aquele bocado que é a Orientação em cima da linha vermelha em zonas muito complicadas. É algo que nós ainda não conseguimos fazer. Ainda sentimos muitas dificuldades na zona dos pontos e é aí que está o nosso maior problema.
Joaquim Sousa – Penso que sim. Quando vemos que este ou aquele jovem vai ser um jovem de futuro, começamos logo a dar-lhe o que ele ainda não pediu. Ou seja, em vez de serem os nossos jovens a trabalhar e a mostrar no terreno que merecem ir mais além, não! São-lhes logo dadas todas as oportunidades e mais algumas. E depois, como eles têm aquilo de borla, se calhar não lhes dão valor.
Andamos com as Elites ao colo
Joaquim Sousa - É também o que acontece com os nossos atletas de Elite. Andamos com as Elites ao colo. Ninguém espera que um dos nossos atletas de Elite venha ao POM e ganhe as quatro etapas. Mas o seleccionador devia chegar à beira das nossas Elites e dizer: “Vocês aqui, no POM, têm de ficar os quatro dias à frente do Sousa, porque o Sousa tem 42 anos e vocês têm vinte e poucos. Não é admissível que ele vos ganhe provas”. E aí esses atletas podiam ser atletas de Elite e podiam ser atletas de Selecção. Agora, quando vimos para aqui e temos um atleta de 42 anos que ganha duas provas em quatro e é o melhor português num POM, acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Meter atletas no grupo A ou no grupo B da Selecção, que são supostamente atletas de topo, se aqui não são bons, como é que vão ser bons num Campeonato do Mundo? Não estou a ver!
Joaquim Sousa – Se calhar, se calhar… Aquilo que aconteceu no ano passado não devia ter acontecido. Não havia atletas de nível para ir à Selecção, não se ia. Mas qual é o problema? Não morre ninguém! Sem os portugueses lá, ia haver Campeonato do Mundo na mesma. Agora, andamos a gastar dinheiro para quê? E depois acontecem coisas como estas que aconteceram: Há uma participação em termos federativos com atletas que são juniores ou que são atletas de segunda categoria, mas que alguém acha que eles vão ser bons atletas e depois levam-nos para a Taça do Mundo, levam-nos para aqui e para acolá e ninguém sabe porquê. Ninguém percebe como é que eles chegaram lá.
Temos de acarinhar quem cá anda e dar o devido valor a quem trabalha
Joaquim Sousa – Pois claro! Ir lá fora é muito bom, é óbvio. Se me levarem a mim, porreiro, está bem, eu vou. E vou lá fazer igual aos outros. Mas acho que, quem tem a responsabilidade nestas coisas, devia pensar de outra forma, devia de ver quem tinha possibilidades de fazer um bom resultado. Se acham que só o Diogo é que vai fazer um bom resultado, então vamos levar só o Diogo. Agora, só porque temos que levar três, não vamos pegar em dois “besuntas” que andam aí e levá-los com ele. Isso é completamente injusto, principalmente para quem trabalha. Eu, se treino, por exemplo, o meu treinador e o meu clube concerteza gostariam que eu fosse ao Mundial. Se eu no Portugal O’ Meeting, como ficou demonstrado, sou melhor do que os atletas de Elite que nós temos, se calhar as pessoas ficam a pensar porque é que os outros é que vão à Selecção e eu não. Mas porquê? Por ter mais de quarenta anos?
Joaquim Sousa - Mas em Portugal não se pensa assim! Eu não quero que me dêem nada a mim. Mas sobretudo não quero que me tirem a mim para dar aos outros. Isso é que eu acho mal. Eu trabalho, eu treino e os resultados estão à vista aqui. Fui o melhor português! O meu treinador fica contente, o clube fica contente e eu fico contente mas, ao mesmo tempo, fico triste. É injusto, como já ouvi dizer aí, que eu ganhei pelo facto do Tiago Aires ou do Diogo Miguel não estarem cá. Porque eu também lhes ganho! Se eles estivessem aqui, ninguém diz que eles não iriam fazer um “mp” e eu não iria ser na mesma o melhor português. Temos de acarinhar quem cá anda e dar o devido valor a quem trabalha.
Estão a esquecer-se que a Orientação tem este pequeno pormenor que são os mapas
Joaquim Sousa – Eu acho que estamos no bom caminho. Em termos organizativos, não temos nada que nos possam apontar. Se perguntarmos a quem quer que seja que venha a Portugal, toda a gente fica encantada. Aliás, nós vamos a uns Campeonatos do Mundo de Veteranos, por exemplo e toda a gente nos dá ainda os parabéns por aquilo que foram os dias do WMOC 2008. Ou seja, em termos organizativos estamos ao nível dos melhores do Mundo. O problema está nas selecções e eu volto a bater na mesma tecla: Ou se tem pessoas idóneas a comandar as Selecções, pessoas que olham para a toda a gente da mesma maneira, ou então não adianta.Não é como eles agora querem com a questão dos mínimos aos dez quilómetros. Tudo bem. Mas o Mega Figueiredo dá-me quatro ou cinco minutos em dez quilómetros e eu dou-lhe cinco ou dez minutos numa prova de Orientação. Então, mas onde é que está o critério, afinal? Estou a falar no Mega e se calhar estou a falar nos outros. Na prova lá em baixo, ganhei ao Pedro Nogueira, dei-lhe sete minutos. Sete minutos dá-me ele a mim numa prova normal de atletismo. Como é que é possível? É que estão a esquecer-se que a Orientação tem este pequeno pormenor que são os mapas. Temos os mapas e isto não é só correr. Nem mesmo no Sprint. Parece muito simples mas não é!
O problema é que as pessoas não querem que eu ande lá também
Joaquim Sousa – Claro! No ano passado, as condições foram todas excelentes. Foi a primeira vez que o Albano e a Palmira foram comigo, ou seja, psicologicamente eu estava no auge. Considero que reajo bem às coisas, mas com companhia sai tudo muito mais fácil. Ter comigo o Albano e a Palmira foi completo, estavam criadas as condições ideais. Eram coisas que só se falavam em privado, mas o objectivo era a medalha no Sprint e ela apareceu. Em termos de objectivos o trabalho estava feito e, quando parti para a Distância Longa, estava descontraído. Corri feliz e satisfeito, acabei por juntar o útil ao agradável e, no final, arrecadei outra medalha. É claro que agora gostava de ir à Alemanha, gostava de ganhar o ouro, mas se calhar também gostava, se alguém tiver direito a ir ao Campeonato do Mundo de Séniores, que olhassem para mim como olham para os atletas que estão no Grupo de Selecção.
Joaquim Sousa – Pois não. Temos em Portugal o Tiago Aires e o Diogo Miguel que são, para mim, os melhores atletas nacionais, sem dúvida nenhuma, e são os únicos que têm valor para ir à Selecção. A seguir a eles temos um grupo de seis ou sete atletas, bastante homogéneo, onde eu me incluo claramente. Aqui temos o Miguel Silva que, devido às suas aptidões físicas, pode estar um bocadinho à frente dos outros e talvez também possa merecer um lugar na Selecção. Mas depois o Tiago Romão é muito incerto, tanto pode fazer uma ou duas provas muito boas como pode não fazer nada de jeito. Quanto ao resto do grupo, eu não me excluo porque acho que tenho muito mais valor do que alguns que lá andam. O problema é que as pessoas não querem que eu ande lá também. Ou porque não sou do clube certo, ou porque não sou treinado pela pessoa certa, ou porque se calhar falo muito, ou porque sou velho… O problema é que, chegada a hora da verdade, as provas são muito complicadas e os resultados estão à vista.
Se eu ganho, a idade é secundária
Joaquim Sousa – Ter chegado ao final da Taça de Portugal 2011 em terceiro lugar na geral do ranking já foi muito bom e vou lutar para conseguir manter essa posição. O objectivo, claro que passa sempre por alcançar um título ou, pelo menos, imiscuir-me no pódio, tal como aconteceu no ano passado, onde fui Vice-Campeão de Distância Longa e Campeão de Estafetas. E tentar o título ibérico.
Joaquim Sousa – Eu trabalho para o Clube e tenho um treinador. Quando o meu treinador disser que está na altura de passar a correr no escalão H35 ou H40, eu vou correr no H35 ou no H40. Mas enquanto ele achar que eu estou bem fisicamente e em termos técnicos e enquanto os nossos jovens não valerem mais do que aquilo que valem, eu vou continuar assim. Se eu ganho, a idade é secundária e o que interessa são os resultados. Pelo menos para o clube. Agora é assim: Quando aparecerem dez jovens que me ganhem, tenha eu 43 ou 45 anos, se calhar deixa de fazer sentido andar na Elite. Mas enquanto isso não acontecer, podem contar comigo!








